Qual a relação entre estresse e câncer

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O estresse é uma reação natural do organismo diante de circunstâncias súbitas ou ameaçadoras. Essas situações cotidianas ativam a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, deixando o indivíduo em estado de alerta e provocando aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos, dentre outros sintomas. Com relação ao câncer, o estresse não é capaz de causá-lo, mas pode contribuir para a disseminação da doença a longo prazo.

O estresse que ocorre no cotidiano, em momentos pontuais, é chamado de eustresse e tem o poder de motivar ações de superação frente às adversidades e, assim, ser visto de forma positiva. No entanto, quando situações estressantes se prolongam por mais tempo e a há dificuldade de lidar com elas, surge o distresse, causando diversos prejuízos. Segundo estudo publicado na Revista Nature, uma das mais conceituadas na área científica, publicada no Reino Unido, o distresse crônico está relacionado com um pior prognóstico do câncer.

Especialistas explicam que este tipo de estresse nocivo pode afetar o sistema linfático, facilitando a disseminação das células cancerosas, impactando no crescimento de tumores já existentes e na formação de metástases. Assim, o estresse não é considerado um fator de risco para o aparecimento do câncer, mas pode causar a progressão da doença. Tudo depende da forma como as adversidades são encaradas. A publicação detalha que se o indivíduo consegue resolver suas problemáticas e não carregar a carrega-las ao longo do tempo, o estresse não influenciará no câncer. Por outro lado, se o estresse perdurar, pode piorar o diagnóstico.

Como o estresse tem relação direta com o funcionamento do sistema linfático, os principais tipos de câncer que podem ser impactados são o linfoma e os tumores de mama e próstata. Assim, pessoas que têm tendência ao estresse crônico, principalmente aquelas já diagnosticas com neoplasia maligna, devem procurar práticas que amenizem os sintomas, como psicoterapia, mindfulness, meditação e atividades esportivas. Desta forma, será possível trabalhar de forma antecipada para que este contexto nocivo seja ressignificado e se aprenda a lidar com as ocasiões estressoras.

Também é importante ponderar que o próprio diagnóstico oncológico pode ser um gatilho para o estresse crônico. Por isso, é importante que tanto no centro de tratamento, quanto a família do paciente fiquem atentos. Caso perceba-se algum nível de vulnerabilidade desagregadora, recomenda-se buscar acompanhamento imediato para que a situação seja contornada de forma ágil e enfrentada mais positivamente. Nem sempre é fácil estar vulnerável e aceitar suporte social e emocional. Mas é importante lembrar que não se vence um o câncer sozinho e que há diversas alternativas para tornar este caminho mais ameno e acessível, sem estresse.

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